Escrito pelo rabequeiro Felipe Gomide, narra a saga do bando que sai à procura dos mestres da cultura tradicional nordestina em viagem de pesquisa musical pelos sertões do Ceará e Pernambuco. O cordel é vendido nos shows e pela página do grupo no Facebook.

 

 

XAXADO NOVO NO SERTÃO

 

De sonhos é feita a vida
Em poesias e romances,
Sutilezas e nuances,
Dessa misteriosa lida.
As chegadas e partidas
São coisas que apertam peito,
Aprofundam o sujeito
Nas margens da existência,
Pois quem vive atrás da essência
Deita em paz no último leito.

Como jovens sonhadores
Sempre atrás das aventuras,
Procurando as aberturas
Do sistema, os bastidores,
Atrás de espinhos ou flores,
Desenhamos um roteiro,
Pensamos no mundo inteiro
Mas só vimos um destino:
O coração nordestino
Era o nosso fim certeiro.

 

(...)


E não fomos pra Argentina,
França, Roma ou Disneylândia,
Creta, Bali, Suazilândia,
Israel nem Palestina.
Fomos lá pra Petrolina,
Exu, Crato, Juazeiro,
Pra Serra dos Cangaceiros
E Caruaru ainda,
E lá em Recife e Olinda
Foi-se o sopro derradeiro.

Quase esqueço de contar,
Me escute bem, ó meu povo,
Somos o Xaxado Novo,
Vivemos sempre a cantar,
A nossa vida é tocar,
Fazemos de coração,
Mergulhamos no sertão
Foi por causa dessa sina,
Na pesquisa da doutrina
Do verdadeiro baião.

 

(...)


Em Exu, terra do Rei,
Tudo era Gonzagão.
A farmácia, o mercadão,
Tudo é dele, diz a Lei!
Até mesmo o velho Frei,
Que cantava sua novena,
Não fazia uma cena,
Liberava o bom forró
Depois da missa, sem dó,
Na pracinha da Igreja.

 

(...)

 

Toda essa nossa aventura
Foi um grande privilégio.
Essas coisas nem colégio
Nem a faculdade estuda.
Até mesmo o mestre, Buda
Foi cair pelo mundão
Pra ter a iluminação
Vendo outras realidades
Ermas e belas paragens
Como as que tem no sertão.

 

(...)

Escrito pelo rabequeiro Felipe Gomide, narra a saga do bando que sai à procura dos mestres da cultura tradicional nordestina em viagem de pesquisa musical pelos sertões do Ceará e Pernambuco. O cordel é vendido nos shows e pela página do grupo no Facebook.